«A serenidade não é feita nem de troça nem de narcisismo, é conhecimento supremo e amor, afirmação da realidade, atenção desperta junto à borda dos grandes fundos e de todos os abismos; é uma virtude dos santos e dos cavaleiros, é indestrutível e cresce com a idade e a aproximação da morte. É o segredo da beleza e a verdadeira substância de toda a arte.
O poeta que celebra, na dança dos seus versos, as magnificências e os terrores da vida, o músico que lhes dá os tons duma pura presença, trazem-nos a luz; aumentam a alegria e a clareza sobre a Terra, mesmo se primeiro nos fazem passar por lágrimas e emoções dolorosas. Talvez o poeta cujos versos nos encantam tenha sido um triste solitário, e o músico um sonhador melancólico: isso não impede que as suas obras participem da serenidade dos deuses e das estrelas. O que eles nos dão, não são mais as suas trevas, a sua dor ou o seu medo, é uma gota de luz pura, de eterna serenidade. Mesmo quando povos inteiros, línguas inteiras, procuram explorar as profundezas cósmicas em mitos, cosmogonias, religiões, o último e supremo termo que poderão atingir é essa serenidade.»
porque choro eu se me pedem um sorriso? para que escondo eu, envergonhado, o meu sorriso? digo a um amigo: sorri! e quando eu puder mergulhar no teu sorriso serei mais contente... serei uma alma ardente e morrerei para que ressuscites... o amor é banal... está em todo o lado... faz parte das coisas, das almas, dos verbos... secreto entro na tua cabeça e sinto que me sorris! graças a Deus tenho o meu sorriso no cérebro de um amigo! sabes? sou eu. eu que viajante rebusco os vocábulos incompletos, rasurados, rasgados, filtrados para perpetuar o meu desejo na vontade contida de gargalhar contigo. tenho saudade dos meus amigos... choro como quem ri... rio que se asfixia pelas margens que o sustentam... naúfrago desaguo no teu sorriso... descubro que há barcos para pernoitar.. e circulos de fogo para viajar... gosto que gostem de mim... eu até gosto de mim...!!! só que escondo o sorriso... o nosso sorriso! desnudo-me para viajar no arfar completo de um sorriso... sei o teu dialeto... e se te escrevo - eu que odeio ser poeta - é porque gosto de ti! vou de rosto em rosto para arrancar um sorriso... isso faz-me feliz! ... mas nas noites tenebrosas sonhando pesadelos fico tonto e não sei por onde andar... prefiro ver-te sorrir... e recordar que há desfios onde escancaras o desejo... sou teu amigo, sorrriso que nasce no meu amigo... vou recolher todas as lágrimas que meus olhos cansados derramam e sorrir para ti como se fosse o ultimo suspiro de alegria... depois deixas-me morrer? é que adoro ressuscitar!!! obrigado... brinca a sério com os movimentos dos sentidos que te realizam e me fazem anular os meus caprichos de sonhador... ... sim. sei que és todo o seu amor...
... invade-me um arrepio no pensar que sinto tanto o arrepio!
chove serena e constantemente na vidraça da alma....
... carapaças dos estados d'alma que segredo num movimento eterno enquanto dura a eternidade da mesma...
fujo das vontades num suspiro pavoneado quando partilho o secreto no recôndito do meu sentir...
... e amo o amor como desejam que seja cavaleiro ateado de fogo nas palavras que empresto para reagir e corresponder ao apelo...
vou de boca em boca como colibri... beijando o perfume da vida...
sentir-me único; inimitável, irrepetível e singular desemboca nestes caracteres!!!
cai a noite... viandante, transeunte entrego-me vadio nos teus braços, queridos demónios na almofada vaga que te deixei e onde pernoitam em consequência da tua ausência...
quando regressares estarei longe... de mim... de todo o mundo que habito na minha quimera!
tombo no abandono e sou o anfitrião da solitude... eu que a nada aspiro e sofro as dores d'imaginar...
grato a Deus que me devolve o Deus na minha esperança...
é assim a minha mendicância noturna: o sonho sem sono... alerta morro na ressurreição do cansaço e cresço com as bofetadas da vida...
açoites abençoados e, grato despeço-me do teu corpo...